domingo, 24 de maio de 2015

O Dia em quem o Jornalismo foi morto a Facadas

O jornal Extra matou o jornalismo a facadas com a capa que transformou o assassino do médico Jaime Gold em vítima de duas tragédias anteriores, como se as supostas faltas de família e escola fossem as verdadeiras responsáveis pelo crime e equivalessem a um assassinato.
EXTRA canalha
Para o Extra, a escola era a “outra barreira de proteção do menor” assassino, que, no entanto, “também desistiu dele”. O jornal, na prática, legitima moralmente o crime
 ao jornal Extra os casos de:
Suzane Von Richthofen, que estudou no Colégio Humboldt, cursou Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e tinha pais comprovadamente esmerados em sua educação, até decidir matá-los a golpes de barra de ferro, em parceria com o namorado rejeitado por eles e o irmão do dito-cujo.
Guilherme de Pádua, então ator da maior emissora de TV do país quando decidiu apunhalar até a morte a atriz Daniella Perez, seu par romântico na novela. Os pais do ex-ator que ganhou bolsa na PUC Minas após cumprir pouco menos de 7 anos de prisão “sofreram demais” com o crime, segundo ele próprio.
Em ambos os casos, como em milhares de outros, tratavam-se de assassinos…
- COM FAMÍLIA,
- COM ESCOLA,
…que, assim como o de Jaime Gold, fizeram uma escolha (i)moral pela qual têm de ser responsabilizados.
Apresento ainda:
- o caso da menina de 12 anos estuprada neste mesmo mês NA ESCOLA Estadual Leonor Quadros, no Jardim Miriam, Zona Sul de São Paulo, por TRÊS ALUNOS DA MESMA ESCOLA.
O Extra também vai lamentar que ela “desista” deles?
Sem falar nos inúmeros casos de pobres que venceram na vida, apesar de todas as dificuldades, como o campeão da matemática Ricardo Oliveira, filho de lavradores do interior do Ceará e portador de uma doença rara; ou Thompson Vitor Marinho, filho de pasteleiro e catadora, que passou em 1º lugar em escola federal estudando com livros que a mãe trazia do lixão.
Lá mesmo, onde deveria estar – mas felizmente não estava – essa edição do Extra.

Cuba-Livre (?)

 

     Perguntei como ele estava depois da bebedeira noite passada. Era um amigo não muito acostumado ao álcool. Até me surpreendi quando ele aceitou tomar umas. Em resposta, disse-me que acordou de madrugada com dor de cabeça e azia, ao que indaguei se o mal não teria sido em razão dos espetinhos que ele devorou no fim da noite. É... Pode ser...

     Mas a conversa banal me arrastou para o campo das bebidas. Coisa de quem não tem o que fazer, sabe, numa noite fria de domingo. Resolvi até anotar tudo num papelzinho. Quem sabe um dia não vira crônica, hein?

     Cerveja/chope: sabe que desde muito cedo aprendi a gostar. Coisa de família. Venho de uma que bebe pra diabo, e que sempre se reunia pra bater papo, rir, comer e principalmente beber, é claro. Lembro-me de uma vez, não sei quantos anos tinha, em que enchi a cara de cerveja, presunto e abacaxi. Bebi tanto que saí falando castelhano. Mas prefiro chope. Bem tirado, gelado, três dedos de espuma.

     Vinho: veio depois da cerveja. Confesso que demorei pra tomar gosto. A primeira vez foi ruim, mas o paladar aos poucos foi se acostumando. Levava minha ex-mulher pra jantar num restaurante na Armando Sales. Começamos juntos a apreciar. Bons tempos.

     Cachaça: nunca gostei. Batidinha, só se tivesse leite Moça. Pura então, nem pensar. Mas não é que de uma hora pra outra, aquelas coisas que acontecem sem explicação, uma bicadinha aqui, outra acolá, e ela começa a fazer parte da minha vida? Não me lembro muito bem como tudo começou. Na verdade, sinto que venho mudando em algumas coisas. Alimentos de que não gostava, por exemplo. Bacalhau, sobrecoxa de frango, berinjela e mortadela. A cachaça entra nesse time.

      Uísque: da cachaça para o uísque foi um pulinho. Depois de estar consumindo cachaça regularmente, dei por mim dando uma bicada no copo de uísque de uma amiga. E não é que ele desceu macio!?

      Dizem por aí que a bebida alcoólica pode ser um catalisador de genialidade, e que grandes obras primas da literatura mundial não existiriam sem ela. O copo está ou esteve presente em algum momento na mesa dos grandes escritores. F. Scott Fitzgerald, por exemplo, era chegado num coquetel de gim, misturado com água e limão. William Faulkner gostava de uísque. Oscar Wilde, de absinto. Edgar Allan Poe, de uísque e absinto. Hemingway apreciava daiquiris e mojitos. João Ubaldo bebeu muito uísque até se tornar um abstêmio.
 
     Pois esse papo todo, amigo, me deu inspiração. Não, não, eu não vou acarinhar as teclas do meu companheiro em busca de um bom texto, transformar as anotações do papelzinho numa crônica sobre bebidas. Eu vou é tomar um uisquinho. Depois, quem sabe... Tá servido?

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