domingo, 1 de fevereiro de 2015

A Filosofia está realmente morta?


Tomar café da manhã, ir para o trabalho, voltar da empresa programando cada segundo a ser aproveitado das abençoadas horas que estamos em casa, os problemas de relacionamento na família e com a sociedade. Todas essas coisas parecem tomar conta de nosso dia a ponto de não nos deixar refletir criticamente sobre quase nada. As maravilhosas perguntas filosóficas que tanto fizeram evoluir psicologicamente a humanidade estão ficando para trás, pois a maioria das pessoas infelizmente não vê razão para, como diria uma amiga, se interrogar com o que muitas vezes não pode ser respondido. O fato não observado ai é que muito provavelmente não há resposta justamente porque só um número muito pequeno de pessoas se move a  pensar sobre o assunto.

Indagações sobre o propósito da vida e do universo, se é que há um propósito, que já vinham sendo esquecidas mediante ao grande crescimento da religião, agora parecem ter sido abandonadas quase que totalmente. Nos comportamos (O verbo está na primeira pessoa do plural por se referir a humanidade) no maior estilo idade média como se já soubéssemos de tudo e por vezes até nos irritamos com as grandes mentes questionadoras que conseguem alcançar um horizonte filosófico que os liberta da gaiola ideológica da qual infelizmente a grande maioria das mentes está presa. Como no conto das rãs não conseguem acreditar no mundo lá fora e estão dispostas até a matar por isso.

Não julgo ter exagerado quando por vezes comparei o mundo atual com uma estrada do tempo em que a caminhada leva a uma era pré-iluminismo. Os estudantes incentivados a desafiar professores em sala de aula para defender o criacionismo são um exemplo claro do forte regredir da sociedade moderna no que se refere a credibilidade da ciência. Acabei de me lembrar que um dos filmes mais comentados nas redes sociais este ano foi  "Deus não está morto", que enreda exatamente o que citei anteriormente neste parágrafo.

As centenas de faculdades particulares que se aglomeram em cada esquina com seus panfleteiros e disputam minuto a minuto os horários de publicidade na televisão não parecem estar preocupadas com o crescimento intelectual de seus alunos mais do que com lucrar grandes quantias no menor tempo de formação possível. Salas inteiras repletas de papagaios repetidores recebem diplomas todo semestre para enfeitar suas paredes.

Contudo, mesmo em meio as ameaças das fogueiras ideológicas que hoje tentam fritar o cérebro de nossos jovens e crianças, vozes filosóficas e críticas se levantam para lutar o combate da razão e do pensamento. Enfrentando os grandes dragões da ignorância e do medo, se fazem ouvir solitárias contra as multidões de engaiolados reunidos em seus galpões. Quem dera pelo menos um desses observasse o que escrevo e viesse à luz do entendimento que lhe daria enfim a liberdade.  

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