terça-feira, 21 de abril de 2009

A Instabilidade Política Latino-americana e a Problemática Indígena


Uma questão problemática para qualquer um que se dedique a estudar o espaço geográfico situado ao sul do Rio Grande é definir o que é um “latino-americano”. É notório como os argentinos, por exemplo, sempre se recusaram a ser colocados na mesma categoria que bolivianos ou nicaragüenses, preferindo se auto-identificar como “europeus transplantados”. Do mesmo modo, a maioria dos brasileiros resiste, ainda hoje, em se identificar como latino-americanos, preferindo se considerar simplesmente brasileiros. Isso para não mencionar, claro, as imensas dificuldades dos norte-americanos em criar uma categoria (como “hispânicos” ou “latinos”) que consiga agrupar imigrantes da Guatemala de origem maia que falam línguas indígenas com mestiços de espanhóis com índios, mas de língua espanhola, do México, argentinos ou brasileiros brancos de origem alemã ou italiana e negros ou mulatos do Haiti ou de Cuba.

Numa avaliação mais ampla, tudo o mencionado no último parágrafo é menos importante do que parece. Se examinarmos a história da América Latina, é perceptível como a região parece seguir ciclos econômicos e políticos – como a economia de exportação de produtos primários nos séculos XIX e XX, a crise da dívida externa nos anos 80 e o neoliberalismo nos 90, as ditaduras militares e a redemocratização, etc – incrivelmente semelhantes. Tal situação, associada aos laços culturais e geográficos, parece indicar que falar de “América Latina” é algo adequado.

No entanto, seria um erro não levar em conta as diferenças dentro desse imenso espaço. Pensando apenas em termos culturais, nota-se como a América Latina se divide em várias áreas. No Caribe e no norte da América do Sul, temos uma América Latina negra, com fundas raízes na África e na cultura criada pelos escravos africanos e seus descendentes. No extremo sul, na Argentina, Uruguai e parte do Chile, uma região com forte presença populacional e cultural de europeus e, em partes da Colômbia, Venezuela e outros países, uma área de extrema mestiçagem entre negros, brancos e indígenas.

No México, América Central e nos países andinos, por sua vez, temos países com uma presença fortíssima de mestiços e índios, formando um verdadeiro “arco indígena” no continente. Por fim, o Brasil, bastante específico não apenas pela língua dominante ser outra, como por conservar, no seu território, elementos das Américas negra (Bahia, Maranhão), branca (o centro-sul), indígena (a Amazônia) e mestiça (o nordeste e o país como um todo), o que explica a riqueza cultural desse país.

Desnecessário ressaltar como essa divisão é meramente teórica, com imensas subdivisões e nuances entre essas diversas áreas e contínuos contatos e intercâmbios entre elas. Mas ela fornece a base para compreendermos melhor os elementos comuns e as particularidades regionais do atual ciclo de instabilidade política da América Latina.

Tal ciclo se caracteriza, essencialmente, pelos seguintes elementos: fragilidade dos governos, crise dos partidos tradicionais (como os radicais na Argentina, os blancos e colorados no Uruguai, etc.), mobilização popular e um crescente sentimento de descrença na democracia ou, no mínimo, uma certa nostalgia pela época das ditaduras militares. Não há indícios de que estejamos nos aproximando de um novo ciclo de ditaduras na América Latina (inclusive, porque os militares da região não estão mais interessados em exercer diretamente o poder), mas que vivemos um momento de instabilidade e pouca confiança no sistema, é algo perceptível. A simples informação de que, nos últimos quinze anos, dez presidentes latino-americanos não cumpriram seu mandato constitucional pode confirmar isto.

A meu ver, a fonte central de toda a insatisfação popular é a incapacidade do sistema democrático latino-americano em promover maior prosperidade e qualidade de vida na região desde o fim das ditaduras militares nos anos 80. Não existe uma regra universal de que a democracia representativa e o Estado de direito promovam automaticamente o desenvolvimento econômico e a justiça social, mas havia toda uma expectativa de que isso iria ocorrer. Quando os anos e as décadas se passaram e os tradicionais problemas da América Latina – pobreza, violência, corrupção, desigualdade social, estagnação econômica – não apenas não foram resolvidos, como às vezes se agravaram, muitas pessoas se sentiram traídas. Do sentimento de traição ao de que é necessário fazer algo fora dos canais tradicionais, nas ruas, foi um passo.

É extremamente duvidoso se podemos culpar a democracia pelos problemas sociais e econômicos da América Latina, como se todas as ditaduras fossem sinônimo de progresso e desenvolvimento (e os latino-americanos, mais do que ninguém, deviam saber disso, dada a nossa história recente) e é difícil avaliar se todos esses movimentos populares que pipocam agora em toda a América Latina são positivos, no sentido de realmente apresentarem um projeto alternativo para a sociedade. Mas não resta dúvida de que o fracasso das democracias latinas em promover a prosperidade e conter a corrupção e os desmandos das elites políticas foram cruciais para levar as pessoas para as ruas. A queda de Fernando Collor de Mello, Fernando de la Rua e outros, malgrado especificidades, se encaixam nesse contexto.

Na América Latina indígena, contudo, temos um outro elemento atuando, ou seja, o despertar dos descendentes dos povos conquistados pelos espanhóis séculos atrás. Relegados às posições mais humildes das suas sociedades, desprezados e pobres, os povos indígenas têm demonstrado um notável ativismo político na América Latina nos últimos anos.

De fato, a atuação política indígena tem crescido tanto no México, como na Guatemala e em outros países, com a eleição de deputados e outros representantes. No Chile e na Nicarágua, por sua vez, mapuches e miskitos lutam para reaver a terra dos seus ancestrais, enquanto movimentos políticos, e mesmo guerrilhas, com base indígena, como a de Chiapas no México, também têm crescido nos últimos anos. Além disso, na queda de Jamil Mahuad no Equador em 2000 e na de Gonzalo Lopez de Lozada na Bolívia em 2003, ficou evidente a força da militância indígena. Por fim, ao menos indiretamente, os movimentos indígenas também se envolveram na queda de Lúcio Gutierrez no Equador semanas atrás.

Também está se desenvolvendo uma nítida polarização racial em alguns países. Quando se assiste ao noticiário sobre a Venezuela, por exemplo, é facilmente perceptível como os inimigos de Chavez são ricos, brancos e de clara tradição espanhola, enquanto seus adeptos são pobres e têm rostos indígenas. O mesmo se percebe na Bolívia, no Equador e em outros locais. A eleição de 2001 no Peru, que colocou como rivais um “cholo” de origem indígena e pobre, Alejandro Toledo, e uma mulher branca, rica e ultracatólica, Lourdes Flores, foi simbólica desse novo momento.

As razões desse despertar são múltiplas, mas deve-se destacar, a meu ver, a crescente conscientização dos povos indígenas de que apenas a militância política pode fazer valer os seus direitos, assim como o fato que as maiores vítimas das políticas econômicas excludentes na América Latina são sempre os pobres e os povos indígenas, o que induz a reações. Por fim, é de extrema importância a atual fase democrática dos países latino-americanos. Afinal, mesmo com seus limites, a manutenção da democracia implica em abertura de espaços para manifestação dos excluídos. Em outros tempos, os líderes e militantes indígenas seriam rapidamente mortos e eliminados e suas associações fechadas, o que não é mais possível hoje, limitando as possibilidades de repressão e favorecendo a politização.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Desenvolvimento e Subdesenvolvimento (Parte III)

Cada vez se pergunta com mais insistência se desenvolver-se significa desumanizar-se, nesta frenética busca de riqueza, de acordo com a fórmula preconizada pelo Ocidente de maximizar os lucros em vez de maximizar as energias mentais que enriquecem com mais rapidez a vida dos homens e podem dar-lhes muito mais felicidade.

O problema do desenvolvimento do Terceiro Mundo, e mesmo o do mundo inteiro que ainda se apresenta subdesenvolvido sob certos aspectos, é antes de tudo um problema de formação de homens. Se a revolução industrial dominou o século XIX, é a revolução cultural que deve dominar o século XX, isto é, a criação de uma cultura capaz de encontrar verdadeiras soluções para os grandes problemas da humanidade.
O subdesenvolvimento é uma forma de subeducação. De subeducação, não apenas do Terceiro Mundo, mas do mundo inteiro. Para acabar com ele, é preciso educar bem e formar o espírito dos homens, que foi deformado por toda parte. Só um novo tipo de homens capazes de ousar pensar, ousarrefletir e de ousar passar à ação poderá realizar uma verdadeira economia baseada no desenvolvimento humano e equilibrado.

As contradições do desenvolvimento são múltiplas. Desenvolvimento significa ao mesmo tempo mutação e disciplina. Mas a disciplina impede muitas vezes a mutação. É o conservantismo das sociedades que alcançaram um auto grau de desenvolvimento, que se tomam como modelo ideal de sociedade e passam a combater o desejo da transformação.

Encarar aspectos isolados do problema na luta contra o subdesenvolvimento parece-nos algo ultrapassado, pois sabemos que as fórmulas tradicionais, as medidas isoladas e as concessões limitadas não bastam. A gravidade do problema requer urgentemente aadoção de uma estratégia global do desenvolvimento, comportamento e medidas convergentes por parte dos países desenvolvidos, assim como dos países em vias de desenvolvimento.

Só há um tipo de verdadeiro desenvolvimento: o desenvolvimento do homem. O homem, fator de desenvolvimento, o homem beneficitário do desenvolvimento. É o cérebro do homem a fábrica de desenvolvimento. É a vida do homem que deve desabrochar pela utilização dos produtos postos à sua disposição pelo desenvolvimento.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Desenvolvimento e Subdesenvolvimento (Parte II)

Um dos fatores mais constantes e efetivos das terríveis tensões sociais reinantes é o desequilíbrio econômico do mundo, com as resultantes desigualdades sociais. Constitui um dos maiores perigos para a paz o profundo desnível econômico que existe entre os países economicamente bem desenvolvidos de um lado, e de outro lado os países insuficientemente desenvolvidos. Desnível que se vem acentuando cada vez mais, intensificando as dissensões sociais e gerando a inquietação, intranqüilidade e os conflitos políticos e ideológicos.

Ora, o problema do subdesenvolvimento não é exclusivo destes países; é antes um problema universal, que só pode ter soluções igualmente em escala universal. Viver na opulência, num mundo em que dois terços estão mergulhados na miséria, não é apenas perigoso, é um crime. A tensão social na qual se vive hoje é, na maior parte das vezes, o produto desta conhecida injustiça social, uma vez que os povos dominados tomaram consciência da realidade sócio-econômica do mundo, nesta fase da história da humanidade que vivemos, fase de transformações explosivas, caracterizadas essencialmente por explosões diversas: a explosão psicológica dos povos explorados, não menos perigosa do que a explosão atômica com a qual se abriu uma nova era no nosso planeta: a era atômica.

É urgente restabelecer o equilíbrio econômico do mundo aterrando o largo fosso que separa os países bem desenvolvidos dos países subdesenvolvidos, sem o que é bem difícil que se consiga a verdadeira paz e a tranqüilidade entre os homens. Nenhuma tarefa internacional se apresenta mais árdua, mas ao mesmo tempo mais promissora para o futuro do mundo, do que a do desenvolvimento econômico destas áreas mais atrasadas, onde os recursos naturais e os potenciais geográficos se conservam relativamente inexplorados.

A paz depende mais do que nunca do equilíbrio econômica do mundo. A segurança social do homem é mais importante do que a segurança nacional baseda nas armas.

Igualmente falso é o conceito de desenvolvimento avaliado unicamente à base da expansão da riqueza material, do crescimento econômico. O desenvovimento implica mudanças sociais sucessivas e profundas, que acompanham inevitavelmente as transformações tecnológicas do contorno natural. O conceito de desenvovimento não é meramente quantitativo, mas compreende os aspectos qualitativos dos grupos humanos a que concerne. Crescer é uma coisa; desenvolver é outra. Crescer é; em linhas gerais, fácil. Desenvolver equilibradamente, difícil.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Desenvolvimento e Subdesenvolvimento (Parte I)

Os países do Terceiro Mundo são subdesenvolvidos, não por razões naturais - pela força das coisas - mas por razões históricas - pela força das circunstâncias. Circunstâncias históricas desfavoráveis, principalmente o colonialismo político e econômico que manteve estas regiões à margem do processo da economia mundial em rápida evolução.

Na verdade, o subdesenvolvimento não é a ausência de desenvolvimento, mas o produto de um tipo universal de desenvolvimento mal conduzido. É a concentração abusiva de riqueza - sobretudo neste período histórico dominado pelo neocolonialismo capitalista que foi o fator determinante do subdesenvolvimento de uma grande parte do mundo: as regiões dominadas sob a forma de colônias políticas diretas ou de colônias econômicas.

O subdesenvolvimento é o produto da má utilização dos recursos naturais e humanos realizada de forma a não conduzir à expansão econômica e a impedir as mudanças sociais indispensáveis ao processo da integração dos grupos humanos subdesenvolvidos dentro de um sistema econômico integrado. Só através de uma estratégia global do desenvolvimento, capaz de mobilizar todos os fatores de produção no interesse da coletividade, poderão ser eliminados o subdesenvolvimento e a fome da superfície da terra.

O maior de todos esses erros foi considerar o processo do desenvolvimento em toda parte como semelhante ao desenvolvimento dos países ricos do Ocidente. Uma espécie de etnocentrismo conduziu os teóricos do desenvolvimento a assentar as suas idéias e estabelecer os seus sistemas de pensamento em concepções de economia clássica que ignoravam quase totalmente a realidade sócio-econômica das regiões de economia ocidental capitalista, uma economia socialista em elaboração acelerada e uma rede de abastecimento e de venda no resto do mundo. Não se ocupavam, pois, das estruturas econômicas desse resto do mundo, abandonado quer aos sociólogos, quer, antes, aos folcloristas.

Esta tremenda desigualde social entre os povos divide economicamente o mundo em dois mundos diferentes: o mundos dos ricos e o mundo dos pobres, o mundo dos países bem desenvolvidos e industrializados e o mundo dos países proletários e subdesenvolvidos. Este fosso econômico divide hoje a humanidade em dois grupos que se entendem com dificuldade: o grupo dos que não comem, constituido por dois terços da humanidade, e que habitam as áreas subdesenvolvidas do mundo, e o grupo dos que não dormem, que é o terço restante dos países ricos, e que não dormem, com receio da revolta dos que não comem.

domingo, 12 de abril de 2009

Era Uma Vez....

Um coelhinho pequeno, pequeno...


Foi crescendo, crescendo e ficou assim!!!



Feliz Páscoa!

sábado, 11 de abril de 2009

Coelhino, se eu fosse como tu...

De olhos vermelhos, de pêlo branquinho
Eu pulo bem alto, eu sou coelhinho
Eu pulo pra frente, eu pulo pra trás
Obrigado a pular até me matar
Eu pulo pro lado, eu pulo pro outro
Eu pulo pra câmera parecendo bobo

É assim toda páscoa, eu vivo a pular
Continuo pulando pra não me ferrar
Coelhos são lindos enquanto produtos
No resto do ano são cobaias ou presas
Nos meus olhos vermelhos são pingados venenos
No meu pêlo branco são feitos buracos

Então vá e se encha de chocolate
Para esquecer o que você faz conosco
Com as vacas que produziram o leite
Com a floresta que se tornou cacau

Eu pulo bem alto, e um dia
Eu pulo para fora da sua vida
Então se você quer que alguém pule na páscoa
Aqui vai minha dica: aprenda a pular sozinho

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A última de Marli!




Estou rindo até agora!!!! Mas eu nem sei o porquê de eu colocar isso no meu blog!
Eu devo estar ficando maluco! Ou melhor: eu já sou maluco! para ficar vendo essas porcarias tem que ser!
rsrsrsrsrsrs

Marli é cantora (?)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

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